Comentários adicionais à recensão crítica aos vídeos sugeridos pelo Professor.
Consultar AQUI a recensão crítica do trabalho do grupo Sigma
Na introdução da recensão crítica feita pelo grupo SIGMA, sinto que há uma boa síntese dos vídeos analisados, mas acredito que poderia ganhar mais profundidade ao estabelecer uma ligação mais direta com o conceito de cibercultura. Para mim, a cibercultura, tal como definida por Pierre Lévy (1999), vai muito além da simples introdução de tecnologias no nosso dia a dia. Ela reflete uma transformação profunda na forma como nos conectamos, interagimos e construímos conhecimento no ciberespaço.
Ao trazer essa perspetiva para a educação digital, consigo ver um potencial incrível para transformar o que entendemos por ensino e aprendizagem. Mais do que seguir modelos tradicionais, penso que a educação digital deve ser vista como um espaço onde o conhecimento é construído de forma coletiva e interativa. É um espaço de partilha, de colaboração, onde todos, professores e alunos, têm a oportunidade de contribuir ativamente para criar algo novo.
Para mim, esta visão da educação digital como parte da cibercultura não é apenas inspiradora, mas necessária. Encoraja-nos a repensar o papel da tecnologia, não como um fim em si mesmo, mas como uma ferramenta para nos conectarmos de formas mais humanas e significativas.
Ao assistir ao vídeo que destaca a centralidade do ser humano perante os avanços tecnológicos (https://www.youtube.com/watch?v=i-8iU9f8rkY&t=2s), senti que este aborda um ponto essencial da cibercultura: a tecnologia deve funcionar como uma extensão da experiência humana, e não como um substituto. Esta ideia ressoa profundamente comigo, sobretudo no contexto educativo, onde considero que as ferramentas digitais podem enriquecer o processo de aprendizagem sem nunca perder de vista a importância das interações humanas. Inspirando-me nas reflexões de Lévy (1999) sobre a inteligência coletiva, percebo como a cultura digital possibilita aos alunos participarem ativamente em comunidades de aprendizagem. Através da tecnologia, podem explorar, partilhar e construir conhecimento em rede, promovendo práticas mais colaborativas e personalizadas.
Ao assistir ao vídeo sobre a "Educação 4.0" (https://www.youtube.com/watch?v=i-8iU9f8rkY&t=2s)e refletir sobre a sua ligação à Quarta Revolução Industrial, não pude deixar de pensar no impacto que estas mudanças já têm – e continuarão a ter – na forma como ensino e como aprendo. As tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, a realidade aumentada e a realidade virtual, não são apenas novidades interessantes; sinto que elas oferecem uma oportunidade real para transformar a educação em algo mais significativo, mais conectado e, sobretudo, mais humano.
Na prática, vejo como essas tecnologias podem ajudar os alunos a sair de uma postura passiva e a tornarem-se participantes ativos no seu processo de aprendizagem. Isto faz-me lembrar as ideias de Moreira e Schlemmer (2020), quando falam sobre a educação digital como um ecossistema dinâmico. É um conceito que me ressoa profundamente, porque cada vez mais vejo a sala de aula – física ou virtual – como um espaço em que humanos e tecnologia coexistem, aprendem juntos e evoluem.
Sinto, no entanto, que esta transformação exige de nós, educadores, mais do que a capacidade de dominar novas ferramentas. É preciso mudar a nossa mentalidade. Temos de nos tornar facilitadores e mediadores, guiando os alunos a desenvolverem competências como o pensamento crítico, a criatividade e a colaboração. Não é um desafio pequeno, mas acredito que vale a pena. Sempre acreditei que a educação não é só sobre transmitir conhecimento, mas sobre formar cidadãos capazes de navegar e contribuir para um mundo em constante mudança.
Também não posso deixar de pensar nos riscos e nos desafios que acompanham estas mudanças. Como educadora, sinto a responsabilidade de garantir que estas ferramentas são usadas de forma ética e inclusiva, e que ninguém é deixado para trás. A acessibilidade é uma questão que me preocupa bastante. Como garantir que todos os alunos, independentemente do seu contexto socioeconómico, têm acesso a estas inovações?
Refletindo sobre isto, reforço a minha convicção de que a tecnologia, por mais avançada que seja, nunca deve ser um substituto para a essência humana da educação. Vejo-a, antes, como uma extensão das nossas possibilidades, algo que nos permite ir mais longe, mas que depende sempre do nosso propósito e da forma como a utilizamos. O grande desafio da Educação 4.0, para mim, é encontrar esse equilíbrio: aproveitar ao máximo as possibilidades oferecidas pelas tecnologias, sem perder de vista o valor insubstituível das relações humanas que fazem da educação uma experiência transformadora.
O vídeo sobre a inteligência artificial e o seu impacto na educação (https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=-d2VRgej_cY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Felearning.uab.pt%2F&embeds_referring_origin=https%3A%2F%2Felearning.uab.pt&source_ve_path=NzY3NTg) leva-me a refletir sobre questões fundamentais, como a ética e a inclusão. Não é apenas sobre adotar novas tecnologias; é sobre o que essas tecnologias significam para os nossos valores e a forma como moldam a sociedade. Este tema toca diretamente na essência da cibercultura, que nos lembra constantemente que a transformação digital só faz sentido quando é inclusiva, ética e humana.
Penso muitas vezes no papel do professor neste contexto. Vejo-me como alguém que, mais do que transmitir conteúdos, deve ser uma mentora, uma guia que ajuda os alunos a navegar por este mar digital cheio de informação. Não se trata apenas de ensinar a usar ferramentas, mas de desenvolver competências para interpretar, questionar e criar de forma responsável. É aqui que as ideias de Selwyn (2016) fazem tanto sentido para mim: o papel do professor é crucial para ajudar os alunos a construírem conhecimento num mundo digital que pode ser tanto um espaço de possibilidades como de armadilhas.
Ainda assim, não posso ignorar as desigualdades no acesso às tecnologias. Este é um tema que me inquieta profundamente. Como professora, pergunto-me: estamos realmente a preparar todos os nossos alunos para serem cidadãos digitais? Ou estamos a criar novas formas de exclusão? A cidadania digital é mais do que saber usar tecnologia; é garantir que todos têm as mesmas oportunidades para participar numa sociedade interligada.
Estas reflexões levam-me a pensar na educação digital como algo muito maior do que uma simples mudança de ferramentas ou de plataformas. Estamos a viver uma transformação cultural. A cibercultura desafia-nos a ver a educação como um processo colaborativo, distribuído e mediado pela tecnologia, mas sempre centrado nas pessoas. Não se trata apenas de preparar os alunos para o mercado de trabalho ou para acompanhar a evolução tecnológica. Trata-se de lhes dar as ferramentas para participarem ativamente numa sociedade que está em constante mudança.
Acredito que, para sermos fiéis aos princípios da cibercultura, temos de promover uma educação digital que seja verdadeiramente inclusiva, aberta e ética. Isso significa ensinar os alunos a pensarem de forma crítica, a trabalharem em equipa e a respeitarem a diversidade de ideias. No fundo, significa prepará-los para um mundo onde a tecnologia é importante, mas onde o verdadeiro valor está nas pessoas e nas relações que criam.
Referências Bibliográficas
Lévy, P. (1999). Cibercultura. Editora 34.
Moreira, A., & Schlemmer, E. (2020). Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. SENAC São Paulo.
Selwyn, N. (2016). Education and technology: Key issues and debates. Bloomsbury Academic.
C3L-Center für lebenslanges Lernen der Universität Oldenburg. (2021, novembro, 18). Digital transformation of teaching and learning. Youtube. https://www.youtube.com/watch?v=i-8iU9f8rkY&t=2s
Film, P. (2023, junho, 29). AI AND THE FUTURE OF EDUCATION [Vídeo]. Youtube. https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=-d2VRgej_cY&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Felearning.uab.pt%2F&embeds_referring_origin=https%3A%2F%2Felearning.uab.pt&source_ve_path=NzY3NTg
Jisc. (2019, abril, 16). Education 4.0 | Jisc | Transforming the future of education (through advanced technology). Youtube. https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=aVWHp8FsV1w&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Felearning.uab.pt%2F&embeds_referring_origin=https%3A%2F%2Felearning.uab.pt&source_ve_path=NzY3NT