Unidade I - Atividade 1
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O QUE É SOCIEDADE
EM REDE ?
Sociedade em Rede - reflexões
Após a análise das leituras e dos vídeos recomendados pelo Professor, assim
como a consideração dos contributos dos colegas, apresento o meu contributo
para a discussão.
De acordo com Manuel Castells, a "sociedade em rede" representa
uma nova configuração social, moldada pela transformação das tecnologias de
informação e comunicação digitais. Na sua obra A Sociedade em Rede: A Era da
Informação – Economia, Sociedade e Cultura (2003), Castells argumenta que estas
tecnologias possibilitaram uma reorganização das relações sociais, ao
interligar indivíduos, grupos, empresas e instituições por meio de redes
digitais. Esta estrutura permite a circulação acelerada de informações e
recursos em escala global, ultrapassando barreiras geográficas e culturais.
Para o autor, a sociedade em rede configura-se como um "ecossistema
global" em que a conectividade de cada ator social determina as suas
oportunidades e a sua posição de poder (Castells, 2003).
A sociedade em rede caracteriza-se, assim, pela existência de "nós" ou
pontos de contacto interligados — representando pessoas, organizações e
instituições — que interagem numa rede distribuída. A posição de cada ator
dentro desta rede digital determina o seu acesso a recursos e a sua capacidade
de influência: aqueles que ocupam posições estratégicas, bem conectados na
rede, usufruem de maiores oportunidades e capacidade de intervenção, enquanto
os que se encontram desconectados ou em posições periféricas enfrentam
dificuldades de participação e acesso. Castells observa que esta estrutura
digital transforma profundamente os processos económicos, culturais, políticos
e de poder, inaugurando uma nova morfologia social que redefine as dinâmicas de
inclusão e exclusão (Castells, 2003).
Contudo, Castells sublinha que a sociedade em rede gera desafios
significativos, particularmente no que respeita à desigualdade digital. O autor
realça que a "estratificação digital" — fenómeno pelo qual o acesso
ou a ausência de conectividade determina o posicionamento social e económico
dos indivíduos — reflete e amplia desigualdades já existentes. Assim, aqueles
que não têm acesso ou capacidade de participar nas redes digitais enfrentam uma
crescente marginalização num sistema cada vez mais dependente da tecnologia e
da informação (Castells, 2003). Para o autor, a sociedade em rede constitui
simultaneamente uma oportunidade de progresso social e um desafio à equidade,
exigindo políticas que promovam uma inclusão digital ampla e universal.
Castells, M. (2003). A Sociedade em Rede: A Era da Informação – Economia,
Sociedade e Cultura, Vol. 1. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.
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